Dar a Volta: 13 meses, 14 países, 40.000 km, um casal

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É assim que Inácio e Leninha descrevem o seu próprio projeto. O título diz tudo. A acrescentar: a volta é numa pão-de-forma, pela América do Sul

Já tinham dado a volta à Índia, durante cinco meses, num side car. A pão-de-forma Walentina, batizada com a ajuda dos visitantes do blog, foi uma escolha natural, bem como a América do Sul, para uma volta de 13 meses, por 14 países. «Dar a volta» percorrerá 40.000 kms. Não, não é uma pão-de-forma automática. O casal Inácio Rozeira e Helena Pimentel, que ele trata carinhosamente por Leninha, são os protagonistas desta história.

Não deixaram tudo para trás para esta aventura. Não se despediram. Foram só viajar. Ele trabalha para a agência de viagens Nomad, que patrocinou parte da aventura, ganhando assim com a publicidade.

«Ao patrocinarem o projeto, viabilizaram o nosso sonho. O meu trabalho hoje em dia é fazer viagens. É um trabalho de prospeção, no terreno. Tenho um patrão fixe, sim», comentou ao tvi24.pt Inácio, 34 anos, numa conversa por Skype.

É assim que Inácio e Leninha descrevem o seu próprio projeto. O título diz tudo. A acrescentar: a volta é numa pão-de-forma, pela América do SulEstão agora em Curitiba, no Brasil. Leninha tem 25 anos, é mestre em psicologia, fez um estágio profissional e decidiu parar um ano. Quer dizer, parados não têm estado. Têm tido contacto com ONG e pessoas com deficiência mental, o que lhes permite para além do «enriquecimento pessoal», também profissional, sobretudo para ela.

Depois da Índia, quiseram «dar outras voltas». Ganharam cobertura nos media, conseguiram mais patrocinadores e a volta está a concretizar-se. «Esta volta é a consequência de outra volta», resumem.

Viajam e cozinham na carrinha. Para um ano têm orçamentadas apenas 30 noites em hotéis; os outros 11 meses são passados na carrinha ou em casa de amigos, como é agora o caso, em Curitiba, onde reencontraram amigos de infância.

Têm vindo a ser abordados por portugueses emigrantes que os acompanham através do Facebook e/ou do blog, querem conhecê-los e até lhes oferecem estadia. A comunidade portuguesa está atenta, eles agradecem e querem conhecer novas pessoas.

Já estiveram em São Paulo, para além de Curitiba. A próxima paragem é o Paraguai e depois Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela.

Encaram a viagem – que não consideram férias: «também não é um trabalho, mas é uma maneira de estar diferente, que comporta desgaste físico e emocional» – com disciplina. Têm encontros planeados com personalidades ou simplesmente pessoas com vidas fantásticas. Estão sempre à procura de uma nova história com a máquina fotográfica e a de filmar como companheiras inseparáveis, para que daí possam ter conteúdos importantes para as pessoas seguirem. «O nosso objetivo é mesmo contar a melhor história. Queremos descobrir o que é a alma sul-americana, qual a identidade dos países por onde passamos». Fazem entrevistas, relatam-nas através do facebook, do blog e dos vídeos que fazem em parceria com uma produtora. No total, a equipa tem 9 pessoas com eles os dois. Todos dão esta volta.

«Outras voltas poderão vir. Esperamos que sim. Era e continua a ser um projeto de dois namorados,que investiram do seu dinheiro e conseguiram financiar-se. Se daí podem advir outros projetos de outras voltas, tanto melhor».

Artigo publicado aqui a 14 de abril de 2013

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