Empreendedores: a «febre» de ideias que contagiou 9 amigos

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Bainha de Copas, Aladina, Estado d’Graça, O Meu Monstrinho, Be With Me, Estúdio Fera, Eva Maria e Wallphabet. Prepare-se para o «contágio»

Avisaram-me logo: «A Vanessa vai ter um nó» no final desta história. Nove mentes fervilhantes sentadas à mesa. Almoço improvisado. O furacão de ideias Graça Martins ao centro. Afinal de contas, foi com ela que tudo começou.

Listemos os projetos e as caras, antes de mais: Bainha de Copas (vestuário e acessórios, de Graça Martins, estratega de marca), Aladina – Receitas de Génio (misturas de ingredientes para doces caseiros, de Alexandra Capelo, arte finalista), Estado d’Graça (roupas, cabides e acessórios, de Nini Cunha Rego, estratega de marca), O Meu Monstrinho, (bonecos, de Susana Albiero, designer), Be With Me (bijuteria e acessórios, de Margarida Gonçalves, diretora comercial), Estúdio Fera (ilustração e design, de Sofia Martins, designer, e Pedro Lourenço, ilustrador), Eva Maria (blogue de moda, de Maria Pimentel, designer gráfica) e Wallphabet (decoração, de Diana Carvalhido, criativa e estratega de marca).

Trabalham todas na mesma empresa, à exceção de Pedro e Nini que, no entanto, já por lá passou uns quantos anos. Adoram o que fazem. E, a somar a isso, têm outras paixões, materializadas nestes projetos.

Contagiaram-se. Todos concordam que tudo aconteceu graças à Graça. Ela ainda não tinha chegado e já me diziam que era um furacão. Depois percebi porquê.

Primeira lição da mestre Graça para um empreendedor: estar motivado a 150%. Ela está. Está sempre. O trabalho multiplica-se. A Bainha de Copas cresce, entre padrões e cores e vestidos e lenços e carteiras. E as ideias jorram e jorram sem freio. As ideias das colegas já germinavam. Graça ajudou a dar-lhes corpo. Pedro, o único homem deste grupo, ilustrador, namora com Sofia e também entrou na onda.

Não há outra forma de fazer sentir ao leitor a boa «febre» de ideias destes profissionais felizes e motivados, multi-funções, a não ser ilustrar a conversa que tivemos, na pausa para o almoço, em casa da Nini. Conversa que puxa conversa.

Tudo entre pizzas e nova receita de bolo húmido de chocolate com mel da Aladina para todos provarem, num ambiente natural de boa disposição. Fala-se quase sempre no plural:

«Há uma entreajuda entre nós. O logo da Wallphabet foi a Susana que fez e foi a Graça que teve a ideia para o nome. Há muito esta sinergia», começou por dizer Diana Carvalhido. Uma sinergia que não acaba aqui: «O Meu Monstrinho aproveita tecidos da Bainha de Copas (e não só). E Estúdio Fera faz ilustrações/padrões para as novas coleções da Bainha de Copas( Fera Uma Vez), e não só. A Sofia ajudou a fazer a marca da Margarida».

Conclusão: «Podíamos fazer daqueles diagramas com pontos de conexão», sugere Diana. Concordam e Sofia acrescenta que as ideias são compulsivas. «Também estamos todos no num open space e isso também favorece a troca de ideias».

Mais uma: «Até falei com a Graça uma vez para fazermos um site com os projetos todos – quase uma rede, em que cada projeto se interligava de alguma maneira com os outros».

Nova ideia, desta vez de Susana: «A primeira página podia ser com os projetos todos, depois cada um ia para o seu site. Podíamos poupar dinheiro». Está o leitor a perceber de onde vem o «nó»? 

E eis que chega «a próxima receita da Aladina – bolo de chocolate com mel». Todos provam. «Muito bom. Top!», elogiam.

Volta o «nó». Algumas – Susana, Diana e Maria – já fizeram de modelos para a Bainha de Copas. Diana também já foi modelo da Be With Me. Sofia tem fotografado as produções da Bainha de Copas. Pedro filma e faz a música.

Entretanto, ninguém fica indiferente ao bolo de chocolate. Alexandra, a mentora, explica que «elas são todas minhas cobaias. Todas vão experimentando, tanto comer, como fazer em casa, para ver se resulta, se as etiquetas estão com as indicações corretas».

ALADINA – Receitas de Génio

Vamos saborear a Aladina em pormenor. A ideia foi de Alexandra. Graça ajudou no nome. Claro.

«Vi num site americano que alguém que estava a oferecer à vizinha nova não doces já feitos, mas uma garrafa de leite com os ingredientes lá dentro e eu achei a ideia muito gira. Procurei para ver se havia em Portugal, mais para ser cliente do que para fazer, e não encontrei. Resolvi que era uma boa oportunidade. Falei com a Graça» que, apressa-se a dizer Nini, achou a ideia logo «super espectacular».

E, «quando a Graça diz super espectacular é porque está aprovado», acrescentou Maria. Aliás, «deve ter passado logo para e se o projeto se chamasse assim?». As ideias, sempre as ideias.

Susana Albiero, d’O Meu Monstrinho, ajudou depois a elaborar o logótipo da Aladina.

E cá estão as receitas de génio, a adoçar paladares. Por agora, Alexandra Capelo não consegue viver só da Aladina, mas espera lá chegar daqui a alguns anos. «Se não acontecer, não aconteceu. Também não estou a fazer disso um cavalo de batalha»

O apetite pelo negócio «mais a sério» vai crescendo, colherada a colherada. Sem pressas.

ESTADO D’GRAÇA

Os bustos-cabide a que Nini Cunha Rego dá o ar da sua graça são todos em segunda mão. «Não uso nada que não tenha sido já usado por alguém. Gosto disso. Vocês (as amigas) gostam das coisas novas. Eu tenho um fetiche pelas coisas usadas. O primeiro cabide descobri-o no lixo. Este e o de ferro. Estava todo estragado. Comecei a mexer». Mexeu, mexeu e criou peças decorativas e úteis.

«Neste momento não é difícil arranjar em segunda mão, porque infelizmente o país está todo virado do avesso e muitas lojas que tinham este género de coisas, estão a vender». Pôs a sua rede de contactos e funcionar e sempre que há uma loja numa situação destas, telefonam-lhe e consegue comprar os bustos «e é menos um xis que essa pessoa perde diretamente».

Resume o que a encanta neste projeto. «Comprar um busto é fazer uma adoção para a vida. É uma coisa que já tinha uma vida, que representava qualquer coisa num sítio e que, de repente, vai conseguir ter outra vez».

O MEU MONSTRINHO

O exercício é simples: «Se o teu medo fosse um boneco, como seria?». Pois bem. Susana Albiero cria o monstrinho ideal, «para espantar o medo de forma bem disposta e criativa».

Foram os tecidos da Bainha de Copas que começaram por dar corpo aos monstrinhos. Hoje em dia, já há outras aquisições extra.

«Surgiu dali e dali foi criando um mundo. O Meu Monstrinho acaba de completar dois anos. Chega uma altura em que tem de andar pelas suas próprias perninhas», diz, com o seu leve sotaque brasileiro.

Mas o facto é que «se não tivesse a Bainha de Copas, O Meu Monstrinho não existia. Foi daí que surgiu a necessidade de fazer uma coisa nova».

BAINHA DE COPAS

Graça, o motor desta equipa, prefere falar no coletivo – é porque ele existe que a máquina tem andado para a frente.

Nova dica para empreendedores: «Não podemos achar que conseguimos fazer as coisas sozinhos. Devemos testar muito com as pessoas em quem confiamos, ou por afinidades ou por total antagonismo – testando, testando e falar da ideia. Às vezes há muito aquela coisa de não vou falar desta ideia; vou guardá-la, porque senão alguém ma apanha. Não apanham, a ideia tem muito daquilo que é a nossa personalidade, a nossa essência».

O importante é, assim, «ter um núcleo duro de pessoas a quem sabemos que podemos recorrer quando queremos evoluir para alguma coisa». Este grupo é a prova disso.

A Bainha de Copas já existia desde 2006, mas sem nome. «Já fazia coisas completamente artesanais e toscas com bainhas passadas a ferro. Nem sequer sabia coser grande coisa, mas as pessoas compravam pela piada que era ou pela junção de materiais e diziam porque é que não fazes isso mais a sério? Devias. O deviasfoi entrando-me na cabeça, tomou forma e ganhou nome em 2010», contou ao tvi24.pt.

«A sorte que eu tive foi de estar a trabalhar num sítio muito criativo e em que as pessoas têm todas competências muito complementares. E é aí que entra a dinâmica toda que torna o projeto rico».

Quando a contactam, fazem-no sempre no plural. «Dizem: Vocês fazem? Vocês conseguem? E porquê? Porque de facto dá o aspeto de que é impossível que uma pessoa sozinho faça isto, sem ser a tempo inteiro, com boa imagem, bom produto e que ainda consiga falar com as pessoas e responder-lhes, embalar as roupas, escrever os envelopes à mão e enviar pelo correio».

A paixão explica tudo. «E eu sei que a minha paixão é esta. É o que eu digo quando alguém se quer lançar numa ideia ¿ tem de ser alguma coisa com a qual nos identifiquemos a 150% no mínimo, porque há um dia em que vamos acordar a 70% e, se não nos lançarmos a 150%, nesse dia aquilo acaba. Nesse dia desmorona, depois esboroa, depois esfria e depois acabou».

Susana volta a entrar na conversa e defende que as pessoas têm de experimentar muitas coisas. «Eu não sabia costurar, nem sabia que ia fazer bonecos. Muito antes de fazer bonecos já tinha feito outras coisas. É tentar sempre, até encontrar. Não é ficando em casa que vai encontrar o que gosta de fazer. Tem de gostar muito, mas para descobrir que gosta muito tem de procurar fazer. Só experimentando é que vai saber».

Até já se deparam com pessoas a pedirem-lhes conselhos para montarem negócios iguais aos seus.

ESTÚDIO FERA

É dos projetos mais recentes, com menos de um ano. Sofia e Pedro são namorados. «Ele já é ilustrador e tem o seu caminho desbravado e, em casa, como somos os dois muito criativos, começámos a trabalhar juntos. A mim dá-me muito gozo, como gosto muito de ilustração, e acreditamos que a ilustração e o design podem fazer uma coisa única juntas. Não há nada no mercado que ofereça alguém que faça ilustração como o Pedro faz e um designer completamente assumido. Existe sempre um designer que é um ilustrador frustrado e um ilustrador que tenta fazer design, mas não faz».

Adoram a liberdade que têm para fazerem o que lhes apetece, «desde a ilustração de um livro a um editorial completo, design têxtil (agora com a Bainha)». Etc. Etc.

Acreditam que estão a criar um universo próprio e há quem já se tenha rendido ao conceito. «Não sei se é por termos um nome um bocadinho pomposo, mas as pessoas não pensam que aquilo não é uma assoalhada de uma casa. Já entraram em contacto connosco para estagiar no Estúdio Fera».

BAINHA DE COPAS + ESTÚDIO FERA = FERA UMA VEZ

A necessidade de inovar é constante. Já se percebeu. Mas há que saber identificar oportunidades, para além da necessidade. «Aqui foi uma junção feliz de eu ter aproveitado, no ano passado, as minhas férias de verão para visitar fábricas e ver métodos de impressão de tecidos», começou por explicar Graça.

«O próximo passo, uma vez que estou rodeada de designers, seria imprimir os meus próprios tecidos, fazer os meus próprios padrões. Apresentar, para além de modelos e desenhos de peças, tudo de raiz feito pela Bainha de Copas e Amigos». Bainha de Copas e Amigos, sim: «Acho que é o melhor descritivo de como a coisa funciona».

Lá descobriu onde poderia fazer impressão «e a primeira concretização dessa oportunidade foi quando passei pelo computador da Sofia e vi uma imagem que tinha acabado de colocar no Facebook para o Estúdio Fera – uma selva, com os animais todos em fila – e eu disse logo: isso tem de ir para um vestido, mas é que tem mesmo de ir para um vestido!».

A paixão, a paixão: «O meu irmão costuma dizer que quando vê coisas de que gosta lhe dá vontade de comer. A mim dá-me vontade de transformar coisas de que gosto em vestidos».

Um mês depois, Sofia também tirou férias para trabalhar e eis que surgiu a primeira coleção de vestidos Fera Uma Vez. «Agora é um mundo que é fascinante. Ter a possibilidade de correr o leque todo da produção, desde desenhar, pedir ajuda à Maria para fazer o styling, perguntar à Diana (que é a mais nova do grupo) se acha que o produto vai ter algum tipo de saída, ir fazendo o teste, até chegar à possibilidade de imprimir», diz Graça, sempre entusiasmada-

A disponibilidade de tempo, entre comprar tecidos feitos ou lançar-se no desafio de os fazer, difere muito. No segundo caso, é preciso acompanhar a produção, «ver se resultou, sentir, experimentar, o processo fica mais complicado em 20 vezes, mas também é mais gratificante». As metas renovam-se todos os dias. «É mesmo incrível».

Porém, às vezes, é igualmente um pau de dois bicos. Bainha de Copas e Estúdio Fera lançaram uma coleção de vestidos para adultos, outra para crianças e ainda uma de lenços, em apenas três meses.

«E diz-nos a história, destes três meses, que se calhar nós fomos tão atropelados e tão avassalados pela possibilidade de fazer acontecer coisas novas que, de repente, quase nem usufruímos bem de cada momento».

Podiam ter parado para comemorar, mas querem sempre ir mais além. «Começámos logo na próxima coleção, naturalmente».

E só não vão mais além ainda, «porque fisicamente não é possível, não há horas. Se o dia tivesse 50 horas, conseguiríamos ocupar essas 50 horas do dia», nota Alexandra.

De facto, acrescenta Graça, «o crescimento e a evolução de metas é proporcional ao tempo que conseguimos dedicar ao projeto. Quanto mais eu consigo estar próxima da Bainha, mais as coisas acontecem mais rapidamente. Aquela semana que eu tirei de férias fez o ano. Aquele detonador de a possibilidade de eu poder encapsular-me em fábricas durante uma semana de férias aconteceu e fez evoluir a coisa».

Ao mesmo tempo, reconhece, «também aprendi que temos que tirar pelo menos uma semana entre ideias. Esta cavalgada acontece porque trabalhamos todos em áreas criativas. Gostamos todos de ver acontecer coisas e quando elas correm bem mais motivados ficamos».

A Bainha de Copas já tem mais de 5.600 gostos no Facebook e, como se percebe, não para de crescer. No entanto, Graça não pensa dedicar-se em exclusivo ao projeto.

«Quando surgiu, surgiu também porque durante o dia ocupo muito um lado do meu cérebro, o lado esquerdo, mais racional, faço estratégia de marcas, e eu queria alguma coisa em que não tivesse de criar conceito nenhum. Eu gostava de cores, de padrões… Mas, esquece, rodeada desta gente não consigo fazer nada que não tenha um conceito, um nome. De qualquer modo, não consigo afastar-me daquilo que faço profissionalmente. Adoro mesmo o que faço».

Discussão à volta do conceito

O conceito. Também Susana Albiero estava cansada de «tudo na vida ter que ter um conceito». «Já me irritava isso. Mas porquê? Porque é que não pode ser simples? Aí veio O Meu Monstrinho. Ah, vamos fazer um boneco. Mas um boneco, existem tantos. E lá vem o conceito. Depois lá vem a história, depois lá vem o nome para a história e para o boneco. Quando vi, pronto, já estou no conceito também. A realidade é que só assim funciona. Dar um real valor à coisa».

No caso d’O Meu Monstrinho, «o que chama atenção é justamente a história que vem por trás. Se fosse só um boneco era só mais um no meio da multidão. A história dos medos é que diferencia».

Nini defende que quando as pessoas têm quatro ou cinco ideias, só há uma certeza: não é nenhuma delas. «Quando temos uma ideia, que realmente achamos que é por ali, nem desfocamos».

BE WITH ME (e outra vez a discussão à volta do conceito)

No caso de Margarida, desde pequena que tem uma grande paixão pelos acessórios. «Sempre adorei colares e pulseiras, malas e tudo por aí fora». Comprava colares ou pulseiras e acabava por transformá-los ao seu gosto. Depois, para as amigas.

O projeto surgiu empurrado pelo ambiente onde trabalha. É a única que não integra o departamento criativo, mas sim o comercial. Mas também foi contagiada.

Quis estruturar uma coisa com pés e cabeça e as amigas, claro, ajudaram. Nasceu a Be With Me.

«Eu comecei a usar bijuteria depois da Be With Me», adianta logo Alexandra. «Também as cores surgiram na minha vida por causa da Bainha de Copas», acrescenta Susana. A rede, o «nó», outra vez.

E voltamos à discussão sobre o conceito ou a falta dele. Margarida disse que as suas ideias não surgem por conceitos. «Não penso, muitas vezes não racionalizo». Alguém diz: «Mas tens de ter um conceito!».

Margarida continua e explica que «a coisa acaba por acontecer, ou através de pesquisas ou do meu gosto e fusão de duas ou três questões. Não penso primeiro numa ideia base que depois contamina as minhas peças. Mas ao contrário. Acabo por pensar numa mescla de materiais, de cores, que acabam por tomar corpo e depois disso posso pensar que podem fazer parte de uma linha, com um determinado conceito».

«Mas a tua marca tem um conceito, que nós nos esforçamos por te lembrar todos os dias», frisa Alexandra. Nini esclarece: «O conceito dela é que todo o acessório é essencial».

«Não sou obstinada com a questão do conceito. Acho que há coisas que surgem antes do conceito», conclui Margarida.

Já Sofia é o seu oposto. Vive de conceitos. «O Estúdio Fera foi mais um veículo para eu criar conceitos e canalizar ideias, que são imensas. Apaixono-me e tenho uma fé incrível naquela ideia». As amigas exemplificam como ela fica quando tem uma ideia: arregala os olhos numa expressão muito própria. Sinal de lâmpada ligada.

EVA MARIA

Maria Pimentel é mais do que designer gráfica. É Eva Maria, o blog que é mais do que um blogue: random thoughts & things on fashion and lifestyle.

Colabora com outras iniciativas e cria os seus próprios projetos de styling. É assim há pouco mais de um ano.

WALLPHABET

É o bebé deste grupo. Criado em dezembro de 2012 pela Diana Carvalhido, quer dar vida – e voz – às paredes das casas. «Já sabemos que as paredes têm ouvidos. Mas, e se, além de terem ouvidos, também pudessem falar? O que tinham para dizer?».

Com o Wallphabet, «todas as paredes podem dizer, sussurar, gritar, rimar, um nome, um desejo, uma frase memorável ou um excerto de uma música inesquecível». De A a Z.

Passo por passo, estes oito projetos estão a crescer. Bainha de Copas, por exemplo, quer formalizar o negócio mais a sério. Aladina está a tratar de um site próprio, com as próprias mãos.

É consensual que o Facebook lhes dá, a todos, «migalhinhas de motivação», pelo feedback rápido que recebem e da interação que permite ter com os clientes. E da diversidade de pessoas que, de cá e do outro lado do mundo, gostam deles.

Cada projeto vai evoluindo ao seu ritmo. Com mérito: «Quando lancei O Meu Monstrinho, não contei aos meus amigos. Só a quem trabalhava comigo. Mas foi passando de like em like. Até que recebo um telefonema de um amigo, que tem três filhos, e que me pergunta como é que eu tenho coragem de criar um projeto como este e não lhe contar nada. Eu respondi: fizeste um like? Ele: fiz, aquilo é brutal. E eu: viu? Você não fez porque é meu amigo. Fez porque gostou do projeto. Assim é muito mais interessante».

A rede começou a formar-se. O «nó» vai (des)complicando cada vez mais. O diagrama da Bainha de Copas e Amigos não é, de facto, má ideia. Pontos de conexão por contágio. Eis uma «febre» que dá (ainda) mais vida.

Artigo publicado aqui a 2 de fevereiro de 2013

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